Do Imaginário


Olá, amigos

Gostaria de convidá-los a visitar o novo endereço http://coisasdoimaginario.blogspot.com.br

Abraços

Ana González 

 



Escrito por AnaGon às 09h36
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LEITURA DE JORNAL

                                                                                       

Li a notícia do último filme de Werner Herzog, que já fez Fitzcarraldo (1982) e Aguirre, a cólera dos deuses (1872), entre outros mais recentes.

Trata-se de A Caverna dos Sonhos Esquecidos, documentário realizado na Caverna de Chauvet, na França, que contém exemplares de arte rupestre paleolítica.

Claro que nos perguntamos, em seguida, o que ele quis ali, nesse lugar que foi descoberto em 1994 e ficou cerca de 30 000 mil anos selado, guardando as espécies de registros mais antigos criados por humanos. Ele confessou ao repórter que tem fascínio pelo tema desde jovem.

Fala mais: " Esse é o nascimento da alma humana moderna. É espantoso haver um eco cultural tão distante que parece se estender até nós. Em Chauvet, há a pintura de um bisão abraçando a parte inferior de um corpo feminino nu. Por que Picasso, que não sabia da caverna, usa exatamente o mesmo motivo em sua série de desenhos do Minotauro e a mulher? Muito estranho. "  Concordamos com você, Werner, muito estranho mesmo.

Ainda diz adiante: "É preciso ativar a imaginação do público e o filme cola em você como se você mesmo tivesse estado na caverna." Certamente, ele se transportou para a época paleolítica, vivendo o impacto dessa descoberta de forma muito particular.

De sobra, nós ganhamos a obra de cinema que busca mobilizar nossa imaginação e que cede à tecnologia 3D, por ser "imperativa nesse caso", ele se explica e se redime.

 Não duvidamos, Werner! Esperamos por seu documentário, com ansiedade.

             

 

 



Escrito por AnaGon às 18h26
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LEITURA DE JORNAL: GRAFITE E PICHAÇÃO

Pichação suja a cidade e desrespeirta o patrimônio público e privado. Grafite, após a lei que foi aprovada pela Câmara recentemente (e poderá ser sancionada pela presidente nos próximos dias) será legal, desde que feita com aprovação do proprietário do imóvel.

Há muitos anos que sigo esta questão, visto que aqui na minha cidade (Sâo Paulo) temos uma quantidade imensa dos dois.  Tenho muita pena pelos muros e prédios sujos com letras que se multiplicam em tons escuros e sem sentido. Por outro lado, desfruto das imagens coloridas presentes em alguns locais (em bairros, como a Vila Madalena e em viaduros, como na Avenida Paulista), e que se multiplicam por aí, mostrando a presença viva de uma força que procura a todo custo espaço para acontecer.  Ambos, pichação e grafite, representam uma forma de protesto. Ler e interpretar é preciso.

A lei pode ampliar a reflexão sobre o tema e estabelecer um diferencial importante para as pessoas que fazem o grafite.   

Reflexão sobre a necessidade do poder público intervir possibilitando a educação e conscientização sobre o assunto. Sobre os problemas conceituais dos dois (não são a mesma coisa, não). Sobreio o diferencial estético que precisa ser levado em conta, embora os limites para avaliações sejam delicados e requeiram parâmetros novos.

O diferencial é que não pode haver mais dúvidas. Pichação é crime. Grafite é forma de exercício artístico e pode ser também instrumento para desenvolvimento de cidadania por meio da arte e da participação na vida urbana.

A lei nãoresolverá os problemas todos advindos dessas presenças nas cidades, mas é para ser comemorada.

PS: Zezão (o meu grafiteiro preferido) na frente de sua obra.                          

 

 



Escrito por AnaGon às 16h17
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LEITURA DE JORNAL - LITERATURA

                                                         

Andrés Neuman, escritor argentino deu entrevista para o Estadão, no sábado, 19/03/2011. Descrito como criador de mundo imaginário sólido, aos 34 anos, fala coisas bonitas (www.andresneuman.com) . Transcrevo algumas de suas idéias do texto do jornal.

"/.../ A poesia é o solo por onde caminham as palavras. Um romance não é nada sem a poesia e uma prosa sem o estremecimento lírico morre de aborrecimento."

Ele confessa que escrever é uma necessidade, uma dependência. "Totalmente. É a única droga boa para a sáude, é um alucinógeno natural - graças a ela, a dor se mitiga e cada detalhe do mundo revela-se fascinante."

Sobre a diversidade de estilo de dois de seus livros (Barcelona e O viajante do século, o último recém lançado)  fala: "Sempre me agradou a idéia de não se saber como se escreve um livro. De aprender a escrever com cada ume, ao terminá-lo, ser tomado novamente pela dúvida. um escritor é diferente de um escrivão. se sabe perfeitamente como executar seu trabalho, então é um impostor. Leitores não merecem fórmulas , mas assombros. E um autor não pode espantar ninguém senão é primeiro assombrado pela linguagem."  

Fiquei realmente assombrada pelas duas últimas frases.

 

  



Escrito por AnaGon às 23h54
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FAROESTE DE VERDADE

                                                                                                                                                                                                                       

De tempos em tempos, surge um filme faroeste, embora há quem jure que já não se fazem mais filmes desse tipo como antigamente. Bravura Indômita, dos irmãos Cohen acorda a polêmica, esquenta o debate.

Parece incrível que esse gênero começou no tempo do cinema mudo em 1903, com "O Grande Roubo do Trem", o primeiro filme de faroeste da história do cinema. Bem resistente ao tempo! E tendo começado a partir da história da conquista do território americano, estendeu-se em outras cinematografias.E com tons aculturados, como na Itália em que se caracterizou pelo cômico e pelo pastelão.  

Desde então, a caminhada tem sido longa. Passou por muitas transformações inclusive técnicas, no cinema e na TV, que se aproveitou dessa filmografia à sua maneira.

Nos anos quarenta e cinqüenta o gênero ganhou vigor. Mas, ele não passaria em vão pelas mudanças de comportamento nos anos sessenta. Foi então que o índio começou a mudar de papel, deixando de ser encarado como inimigo. Uma reconsideração da história americana, entre outros aspectos de um revisionismo saudável.

Na verdade, o herói a partir daí mudou na literatura e no cinema. Foi desaparecendo aos poucos o solitário cowboy que transitava por paisagens inóspitas cheias de inimigos, que se jogava pesadamente nas portas bambaleantes dos saloons, que andava pelas vias empoeiradas das cidadelas do western. E acertava todos os alvos, claro. Seja nos faroestes, nas novelas de cavalaria ou nos contos de fada, eles representam uma função humana importante. Variações de cenário mal encobrem a (essencial) necessidade dos feitos valorosos. Onde estão esses e outros heróis?

Mas, enquanto na realidade vivemos a mudança da representação do herói, no imaginário de todos nós ainda permanece o lugar que sempre foi dele. Talvez por isso, haja a recorrência do gênero faroeste de vez em quando. Com aspectos que marcam o avançar da história cultural, ela ainda tem lugar, mesmo que tenha passado por diferentes maquiagens: épico, psicológico, cômico, pró-índio, pastelão e, - quem sabe mais?

 E ainda hoje tem seu lugar. A obra dos irmãos Cohen se acrescenta a outras que percebem as possibilidades da dobradinha xerife x bandido e de elementos do mundo do western. 

Por isso, fazem um bom faroeste, inclusive com disputa de melhor tiro sobre cavalos em imensa paisagem. Cena impagável. Nem reparamos que faltaram os índios.  

                                                                                                         

 



Escrito por AnaGon às 22h21
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BRUNA, A CINDERELA TRASH

                                                     

A matéria no jornal diz que é a história de menina que se transforma em mulher. Pode ser. Parece até bonito.                

Mas, não tenho intenção de assistir ao filme. Os antecedentes da personagem principal e o possível caráter do filme estariam em trigésima prioridade nestes tempos em que o tempo se faz escasso e as tarefas se multiplicam.

Mas, a mesma matéria jornalística diz outras coisas.   Por exemplo, Luiz Zanin Oricchio, comentarista  de cinema, assim descreve as fases da narrativa arrítmica, segundo ele: iniciação, sucesso, apogeu, desregramento e declínio. "Depois", segue ele, balanço de vida e ponto de equilíbrio". Uma história de guerreira. Bom, devo dizer que mesmo assim, o discurso não me convence.   

O que me chamou a atenção foi uma das falas de Deborah Secco que faz o papel de Bruna na entrevista da matéria, dizendo a respeito das mulheres que fazem programas sexuais na região da Luz: "E vi que o que é errado para mim é o que ela consegue fazer para sustentar um filho. Que direito tenho de falar: ´Não faça´? As pessoas não são o que querem ser. São como conseguem. E isso é triste. E eu parei para pensar que  também não sou o que quero. Sou o que consigo. Somos o melhor que conseguimos ser. "

A conclusão da frase ficou em mim, bateu forte.

Concordei com ela. É, Deborah, somos o melhor que conseguimos ser. Apenas isso. Na vida, em geral, somos levados pelas circunstâncias externas e nossos desejos mais íntimos não são realizados. Inúmeras razões pesam nessa situação.

Se pensássemos mais nessa condição limitada que vivemos todos, poderíamos diminuir os atritos, por exemplo. Poderíamos rever muitas de nossas decisões e comportamentos.        

Ainda assim, não verei o filme. Essa reflexão que me fez bem, é da Deborah Secco, possivelmente tirada no processo de construção de sua personagem.  Isso basta para mim.

Que Raquel Pacheco (a Bruna/ Cinderela) tenha muito sucesso e condições para melhores escolhas em sua vida.

 

 



Escrito por AnaGon às 22h33
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BUENOS AIRES  E PALESTRA 

Já me tinham falado muito bem da cidade. E por questões variadas, nunca cheguei a visitá-la, embora tenha tido sempre o pé na estrada.

O artigo da última postagem fala de um filme argentino. O bonitão Ricardo Darin e uma interessante história de suspense e de amor me levaram a Buenos Aires. Explico melhor: fiz um estudo sobre o filme. Ele tinha informações que poderiam valer um trabalho de cunho astrológico. Fiz o trabalho e lá fui eu fazer uma palestra em evento de astrologia organizado por Gente de Astrologia (GeA) de direção de Sílvia Ceres, em novembro de 2010.  Mas, o que me interessa mesmo é escrever sobre a viagem.

Linda cidade, Buenos Aires. O hotel em que me hospedei ficava quase na esquina da Avenida Corrientes e Callao, no centro.  Entre outras avenidas e muito comércio, livrarias (parece até verdade que o argentino lê muito!), cafeterias, restaurantes. Conheci a Plaza San Martin, a estátua do Libertador da Argentina e segui pela Avenida Libertador a pé.  Uma aula de história rápida. Rapidíssima.

Vi galerias grandes e sofisticadas, comércio de todo o tipo, brasileiros aos montes, a Plaza de Mayo ( famosa por suas mães, agora já avós), a feira de San Telmo, a Casa Rosada, O museu Nacional (por fora, pois estava fechado).

Mas, foram outros detalhes que fizeram minha viagem acontecer como experiência. 

Em cada esquina havia retratos da Evita e do Perón. Em menor quantidade, do Che Guevara. Saudosismo? Os cartazes de manifestações políticas estavam em grande parte das avenidas grandes.

Os vidros marchetados do restaurante em que almocei um macarrão com molho de pesto compuseram um cenário com as fotos do Jorge Luis Borges no pilar perto da porta de entrada. 

O CD do Piazzola que comprei na primeira noite, indicado por um senhor que leu no meu rosto o que eu queria. E os (muitos) livros de astrologia de editora espanhola, uma alegria. 

O bairro Boca, com sua diversidade popular e turìstica, com o Estádio da Bombonera. A arquitetura moderna do Museu Proa, vidros  e grandes espaços brancos. A vista do andar superior sobre o bairro para os tetos da vizinhança interna. A vista do museu do pintor Quintela para fora, sobre as águas do rio. Os barcos no Puerto Madero.

São as pequenas impressões que marcam uma viagem. Como turistas andamos por grandes espaços, mas quando paro para relembrar é o detalhe, o riso, a surpresa, o assombro que ficaram.

Não quis visitar o cemitério famoso perto da praça da Recoleta. Mas, acompanhei a dança de uma família que deliciava as pessoas que passavam por lá sob o céu de chumbo, chuva anunciada.

Degustei a sobremesa especial de massa folhada, com recheio de doce de leite, coberta com creme e o peixs com limão siciliano. E a companhia do amigo brasileiro com muitos cafés pelos caminhos e papo.

A astróloga equatoriana, três palestras sobre Lua no evento(sem que houvesse repetição entre elas), a apresentação de trabalhos de final de curso na escola de astrologia (Casa Onze). Uma atividade argentina que, infelizmente, não ocorre na formação do astrólogo brasileiro.

Turismo e astrologia , na medida certa. Quero mais alfajores, mais dança na praça, mais Buenos Aires!         



Escrito por AnaGon às 23h06
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OS SEGREDOS DE SEUS OLHOS E A LUA

O filme Os segredos dos seus olhos recebeu dos críticos menos estrelas do que merecia. É um grande filme, ganhador do Oscar de filme estrangeiro em 2009.  Eu desejei entender a razão pela qual a personagem passou tanto tempo com uma memória guardada, possivelmente a incomodá-lo.  Será que a resposta encontrada é convincente?  

                                                                                

Os segredos dos olhos de todos nós: as muitas faces da lua

Nas manifestações da cultura contemporânea, podemos observar arranjos interessantes de interdisciplinaridade. Andando por aí, percebi uma rede possível de significados entre o filme argentino e o símbolo da lua. Daí que, depois de informações sobre o filme e a lua, tentaremos chegar aos significados que existem entre eles.

A trama do filme fala de um crime sem solução há 25 anos, que é revisto pela personagem masculina. Benjamín (Ricardo Darín) sentindo-se motivado a escrever um livro sobre esse fato busca Irene (Soledad Villamil) que era sua superior e companheira nesse caso. Tal encontro dará origem à ação do filme e à recolocação de decisões pessoais feitas por ele no passado.

Por sua vez, a observação astronômica do movimento da lua em suas fases e eclipses,  propiciou ao ser humano, desde os tempos primordiais, a elaboração de aplicações práticas e de concepções cosmogônicas da vida. Sendo o mais rápido e o mais individual dos corpos planetários, representa nosso lado emocional e a necessidade de segurança. Indica as repetições, quase automáticas, que as pessoas organizam para se ajustar ao ambiente da vida cotidiana, na intenção de manter o conforto pessoal, embora tais repetições se fixem e permaneçam, às vezes, como vícios compulsivos. Ocorre, nesses casos, uma rejeição natural contra o que pareça ser contrário aos hábitos, impedindo espaços para situações novas. Cabe, então, fazer a pergunta: será que, ao guardar a memória do crime não solucionado por tanto tempo, Benjamin se deixou levar por uma questão emocional e lunar?

Ressonâncias e metáforas

O olhar de um homem, repetido em algumas fotos, deflagra a hipótese que poderá desvendar um crime e é o primeiro indício de possíveis relações do filme com os significados da lua. Dela, só podemos visualizar uma de suas faces e, ainda assim, na forma de fases que se sucedem continuamente. Ela detém segredos, portanto. Assim também, os olhos são os mensageiros de significados internos, podendo revelar intenções, desejos, podendo também guardar segredos. A desconfiança atenta de Benjamin e a cobiça dos olhos de Gomes são as chaves para entrar no mundo lunar de ambos. 

Ao lado dessa expressão que é externa, temos também, a sensação interna que indica quem somos ou fomos um dia. Irene, numa confissão a respeito dos efeitos da passagem dos vinte e cinco anos em si mesma, diz: Não me reconheço. Eu era outra e era jovem. 

E dessa passagem do tempo - a vida -, pode-se apreender algum sentido? Como se faz para viver uma vida plena?, se pergunta Benjamin, cuja vida é cheia de nada. E, Sandoval, o amigo fiel já sabe a resposta: a paixão preenche a vida. Beber no bar até não saber voltar para casa é uma paixão que dá sentido a sua vida. E Benjamin ainda escuta seus argumentos: Muda-se tudo: religião, deus, sapato. Não se pode mudar de paixão.

Não se trata da paixão de um relacionamento amoroso ou afetivo, mas daquela proveniente de apego ao que é confortável e que permanecendo, oferece segurança. Beber faz sentido para Sandoval e pode se chamar apego, repetição do conforto, comodismo e sensação de preenchimento pelo conhecido.

Porém, acontece uma resistência: como se soltar do vício, em direção ao desconhecido? Quem precisa do futuro se encontra tanta paixão e conforto?

Além dessa vivência lunar que oferece valor e faz a passagem do tempo ser mais fácil, há outro tipo de apego quando um evento do passado permanece pelo exercício da memória como uma escravidão. Essa experiência submete as personagens Morales e Benjamin. A idéia de escrever um romance sobre o caso de Morales se define como uma memória guardada e fixada. Talvez seja indício de uma paixão, de um vício. 

Essa ligação de Benjamin com a história de Morales vai além da questão judicial mal resolvida. Na verdade, há um espelhamento da personagem nessa história de amor, que é admirada por ele por sua fidelidade e compromisso. E nesse espelhamento há a imagem da lua dependendo e vivendo de outra luz.

 Benjamin só percebe a necessidade de viver sua história de amor ao entrar em contato com a resolução da vida de Morales. Talvez tenha ampliado sua consciência em relação a sua própria história. Há algo que se realiza nesse momento.

Talvez ele tenha se libertado dos padrões repetidos ao longo do tempo, se afastando desse hábito fixado. Consegue reescrever o papel lembrete (de TEMO para TEAMO). Age na situação, quebrando a rotina de longos vinte e cinco anos. Ele transita do lado lunar para o solar. A personagem tem coragem para marcar sua identidade, numa decisão que é solar. Não quis mais permanecer nos escuros desvãos do passado e de comportamentos de insegurança.

Assim como há uma relação astronômica entre lua e sol, também a encontramos na experiência humana. Seria o sinal de um equilíbrio talvez desejável. Viver somente o lado lunar pode não ter sido o melhor para Sandoval nem para Morales. Benjamin pôde fazer uma opção diferente, fechando o grande ciclo de experiência lunar e solar. Realizou o desejo de amar Irene, superando o temor de se lançar na aventura de amar e ser amado.    

No diálogo final do encontro entre ele e Irene, ficamos de fora. A porta se fecha na cara do espectador. Ela marca a diferença entre o externo e o interno. Em outra manifestação típica da lua, há que se preservar o que é íntimo e privado em nossas vidas.

Que a porta se mantenha fechada diante de nós.

PS: Um texto mais completo a respeito do tema está publicado em http://www.constelar.com.br/constelar/147_setembro10/segredo-dos-seus-olhos.php



Escrito por AnaGon às 20h08
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O retorno da newsletter

Tenho tido um retorno muito interessante dos artigos que envio para meus contatos todos os meses. Na verdade, comecei para experimentar a disciplina de escrever mais. Será que eu daria conta ou ficaria bom o jeito pelo qual eu queria veicular o pensamento astrológico?  
 
Depois de um ano, todos os meses escrevendo sobre assuntos que não param de acontecer, ainda experimento. Mas, um dado é real e certo: a participação dos meus contatos é estimulante demais.
   
Recebo mensagens com comentários, agrados, sugestões e críticas. As colaborações são sempre uma grande surpresa.
Pedi permissão a uma pessoa e sua mensagem segue logo abaixo. Sobre Guimaráes Rosa, um artigo que deu margem a muitos comentários!
Obrigada  a todos!
"Esta Newsletter (como todas as que você nos envia mensalmente) revela-se muito interessante e instigante, tanto do ponto de vista informativo, quanto do próprio assunto abordado (relações entre a linguagem literária e a astrologia, na medida em que salienta a importância de saber decifrar corretamente a simbologia da linguagem, seja ela verbal, escrita, astrológica, musical, corporal, pictórica, arquitetônica, etc.).
 
Outro item interessante do artigo é a analogia estabelecida entre o nome das personagens e o dos planetas astrológicos. Assim como Guimarães Rosa, Machado de Assis também selecionava nomes para alguns personagens de suas obras, como por exemplo, Sofia = sabedoria, conhecimento (do romance Quincas Borba). Neste caso, o nome foi ironicamente atribuído a uma personagem astuta.
"(...) Segundo Uteza, somente a partir da "elucidação dos enigmas lingüísticos" de sua língua fluida e musical "se poderá ter acesso ao conteúdo ´metafísico-religioso´que se encontra oculto em sua obra". Portanto, os elementos de sua visão metafísica não são claramente expressos. Ao contrário, estão cifrados em sua particular expressão lingüística que é um corpo físico e concreto, o lugar em que se apresenta o transcendente (...) Nesse conto, os elementos naturais conspiram para que o destino humano se cumpra. É o morro que fala e cuida do herói. A decifração do enigmático recado e a resolução pelo confronto humano libera o herói para andar por grandes espaços livre e senhor do mundo (...)"
O fragmento acima, extraído da Newsletter, fez me lembrar muito desta poesia de Charles Baudelaire (1821-1867):
 
Correspondências
 "A Natureza é um templo onde vivos pilares

Deixam às vezes sair confusas palavras;

O Homem atravessa florestas de símbolos

Que o observam com olhares familiares.

  Como longos ecos de longe se confundem

Dentro de tenebrosa e profunda unidade

Tão vasta como a noite e a claridade,

Os perfumes, as cores, os sons se correspondem.

 Perfumes de frescor tal a carne de infantes,

Suaves iguais oboés e verdes iguais os prados,

- E outros, corrompidos, ricos e triunfantes,

 Possuindo a expansão de coisas infindas,

Tal qual âmbar, almíscar, benjoim, incenso,

Que cantam o êxtase do espírito e dos sentidos."

  Concordo com você quando diz que: "Reconheço as múltiplas possibilidades de leitura em Guimarães Rosa". A linguagem astrológica que permeia pela obra é apenas uma dentre inúmeras perspectivas de analisar a metafísica roseana. Nesse caso, arrisco-me a dizer que o texto dialoga perfeitamente com a literatura simbolista (séc. XIX) que, por sua vez, tem conexão direta com as teorias elaboradas por Emmanuel Swedenborg (1688-1772) que podem ser assim resumidas: "Trata-se de um sistema tripartido: 1) O terceiro céu ou mundo terrestre, onde existe tudo o que é material, todos os seres, sem distinção de reinos; 2) O segundo céu ou mundo da verdade – é o reino intelectual: os seres são aqui percebidos através de leis que os ligam; 3) O primeiro céu ou mundo celeste ou íntimo – é o reino de Deus." (extraído do site: www.nossacasa.net)

Ana, espero que minha pequena participação nesta Newsletter venha contribuir positivamente para a investigação sobre a metafísica roseana, considerando que li pouco Guimarães Rosa, mas após conhecer a face metafísica do escritor, estimulou-me ainda mais a dedicar uma atenção especial a ele! "

 



Escrito por AnaGon às 10h33
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Guimarães Rosa e a astrologia

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Descobrir que Guimarães Rosa gostava de metafísica foi uma grande surpresa. Uma pergunta ocorreu rapidamente: qual seria a relação dessa metafísica com a obra literária que ele compôs?  

Tudo começou quando entrei em contato com um trabalho acadêmico a respeito de um conto do livro Corpo de Baile que identifica o uso de dados astrológicos em sua composição: Recado astrológico: o baile de João Guimarães Rosa de Daniela Severo de Souza Scheifler. 

Nesse artigo,  a autora faz um estudo a respeito dos nomes das personagens e indica possíveis relações de tais personagens e de suas histórias aos planetas astrológicos.

A história descreve uma viagem de um grupo de pessoas de ida e volta pelo sertão, tendo à frente  como guia, um homem conhecedor da região. Em meio a essa viagem, há um aviso de morte por traição dado pelo morro, que vai se desdobrando entre outras personagens, recontada sete vezes, até que é musicada e, finalmente, entendida por Pedro. O grupo passa por sete fazendas cujos donos apresentam nomes e características ligados aos planetas astrológicos: Jove (Júpiter), Vininha (Vênus), Nhô Hermes (Mercúrio), Nhá Selena (Lua), Marciano (Marte), Apolinário ( Apolo – Sol) e, por fim, Seo Juca Saturnino (Saturno).

A geografia do Morro da Garça e a paisagem sertaneja juntam-se a essas estórias. Mas, além desses elementos pode haver outros a serem explorados. Podemos ir muito mais longe. Francis Uteza, autor alemão de “A metafísica de O grande sertão de GR”,  cita o autor mineiro: “/.../ eu gosto de apoio, o apoio é necessário para a transcendência. Mas quanto mais estou apoiando, quanto mais realista sou, você desconfie. Aí é que está o degrau apara a ascensão, o trampolim para o salto.”     

O próprio autor nos avisa quanto às suas intenções: a realidade e a transcendência estão presentes nos textos. E a linguagem pode ser a linguagem o instrumento e chave para tal compreensão. Em entrevista a um crítico alemão, de 1965 em Gênova, Guimarães Rosa diz “ O idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas.” É o estudioso alemão que nos explica mais a esse respeito.

Segundo Uteza, somente a partir da “elucidação dos enigmas lingüísticos” de sua língua fluida e musical  “ se poderá ter acesso ao conteúdo “metafísico-religioso” que se encontra oculto em sua obra”.   Portanto, os elementos de sua visão metafísica não são claramente expressos. Ao contrário, estão cifrados em sua particular expressão lingüística, que é um corpo físico e concreto, o lugar em que se apresenta o transcendente.

Tanto em sua obra-prima como no conto que nos interessa, encontramos essa visão maior da questão humana: a metafísica. A perspectiva de uma geografia e experiência humana local e regionalista é somente o ponto de partida. A viagem pelo Morro da Garça, o lado realista do texto, é também uma representação astrológica da caminhada humana. A geografia do sertão se cruza em algum ponto com um tempo que ganha contornos míticos. Esse ponto talvez seja a linguagem ou “a porta para o infinito” como queria Guimarães Rosa.

Nesse conto, os elementos naturais conspiram para que o destino humano se cumpra. É o morro que fala e cuida do herói. A decifração do enigmático recado e a resolução pelo confronto humano libera o herói para andar por grandes espaços, livre e senhor do mundo: "Daí com medo de crime, esquipou, mesmo com a noite, abriu grandes pernas. Mediu o mundo. Por tantas serras, pulando de estrela em estrela, até os seus Gerais". Esta frase final do conto refere-se às ações da personagem pós-resolução do conflito? Ou é a ação atemporal, mítica, efetivada por Pedro - e por todos os heróis - em meio a seu contexto e as estrelas? 

Reconheço as múltiplas possibilidades de leitura nas entrelinhas em Guimarães Rosa. A elaboração dos nomes e a simbologia das estrelas e do céu, numa relação explícita com a astrologia, é uma das grandezas desse conto. Mas, a pergunta inicial só foi parcialmente respondida. Voltarei ao assunto.

 



Escrito por AnaGon às 10h41
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Na telona - O Grão, de Petrus Cariry

Sons e silêncios          

O filme é nacional e se passa em uma vila do Ceará, no NE, Com pouca ação e bela fotografia. Ele ganhou prêmios, como o de melhor filme no festival de Viña del Mar e outros, como o de melhor fotografia, em Miami.  É verdade que a pessoa que estava sentada ao meu lado no cinema ficou o tempo todo olhando o relógio e saiu assim que os letreiros começaram a subir na tela, mas quem diz que unanimidade é coisa importante nesta área?

O filme é realmente parado, mas deixou impressões fortes em mim, ligadas à sonoridade, aos sons e aos silêncios dentro de olhares, às vezes longos. Trata-se de uma trilha sonora original, com intervalos de muitos silêncios. O pai, condutor de cabras a serem abatidas; a mãe, a fiar; a filha, a tingir fios e a se preparar para o casamento; a avó  Perpétua, a envelhecer, a enfraquecer e a contar história ao menino Zeca, que observa tudo isso, um pouco brincando com seu cachorro, indo à escola, mas, principalmente ouvindo a história da avó.

Nesse universo limitado, sobram imagens de um rio ao fundo da casa, com brilhos da água e um barco meio afundado às suas margens, e de naturezas-morta, quando o foco pára nos cantos da casa ou no cachorro que dorme embaixo da mesa da sala.

Mas, os sons são mágicos e falam o que a narrativa nos nega, como se eles pudessem fazer contraponto com a presença física e muda das personagens.

E fazem quando o som de um (possível) caminhão, no início do filme, anda por uma estrada, por tempo longo o bastante para nos mostrar a lonjura do lugar. Ou quando a TV, falante e barulhenta, ocupa o espaço em que vive a família silenciosa, mostrando situações tão diferentes e longínquas; ou então quando vemos Fátima, a moça, a se mexer em ritmo vindo dos fones de ouvido, fechada á realidade em que vive.

E ocorrem também os muitos trinos de pássaros e os ventos que passam levantando os panos estendidos nos varais e nas janelas; a roda de tecer, a roda do jogo com fundo musical, os guisos das cabras, a voz do pai a falar com os bichos. Escutamos também as águas balançando e batendo nas margens do rio, ou carregando para cá e para lá uma tábua perdida por ali. E ouvimos a música alegre que acompanha o jovem casal que anda na motocicleta - ensaiando a fuga para a cidade após o casamento ?-, os sons da velocidade de carros e caminhões a passar perto da casa, o Agnus Dei e a música sacra. 

Mas, o mais bonito mesmo é o som da voz da avó Perpétua a contar a história indiana para seu neto que a ouve atentamente, sempre perguntando pelo que aconteceu depois. Tememos por essa voz, quando percebemos o aumento dos pigarros e da tosse. É a narrativa que sai de sua boca que verdadeiramente nos conduz, ao substituir a ação e vontade das personagens daquela casa. O pai dizendo que  "tá bom do jeito que tá" e a mãe olhando longe pelo rio, sem esperança. Fátima, vai casar e sair. É a única que pode fazer algo, ainda que seja observada com desilusão pela mãe. Na narrativa para a criança, há vida. Ela acontece, ainda que seja com os tons tristes da realidade da avó. As resenhas do filme dizem que essa história teria uma função de preparar o neto para a separação. Talvez possa ser mais do que isso. Nela, há o espaço de uma curiosidade entre avó e neto, há um vínculo muito forte que iluminam os olhos da criança.  

Assim mesmo tão parado, sobraram motivos de inquietação quando saí do cinema. Fiquei pensando se era um filme que me lembrava o mundo de Saturno, pela dura realidade, pela escassez, pela falta de imaginação. Talvez fosse  mais um mundo pisciano, pelos brilhos e a água imensa do rio. Pela sensação de  prisão, pelo enclausuramento. Pela falta de saídas, que parece ser indicada quando a ambulância leva a avó e os que ficam só olham sem esperança. E depois?  Mesmo a história da avó levanta um mundo de fantasias.

Não importa respondermos a essas perguntas, nem mesmo identificarmos com segurança se esse mundo é saturnino ou pisciano. No mundo pisciano do cinema e em um filme como esse, os limites da imaginação são liberados.  A liberdade do diretor nos convida. Por que não  ficamos com um pouco de Saturno e um outro tanto do signo de Peixes? 

Sobra ainda um som final a tocar nos meus ouvidos com a imagem das águas do rio: a Cantata  de Bach.

   

    

 

 

 



Escrito por AnaGon às 18h01
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Leitura de jornal

As meninas pelo mundo

Nos finais de semana, sempre que posso, perco-me nas folhas do jornal. Assino um, mas poderia ser outro. O prazer é descobrir o mundo que há nele.

No dia 4 de julho último, vi a notícia de uma cineasta jovem brasileira, Tata Amaral, apresentando seu filme em Londres. O filme chegou a fazer sucesso no Brasil e até virou série na TV: Antônia. Não vi o filme, mas acompanhei com interesse o caminho que a diretora e seu filme fazem por aí. Festivais em Berlim, Toronto. Lançamento nos EUA com investimento grande. DvDs pela Netflix.

E como explicar isso, já que as personagens são tão brasileiras, com contexto idem?  Ela diz: " É uma história de mulheres exuberantes e lutadoras. Na platéia do Barbican havia representantes de comunidades da periferia de Londres. A questão humana é sempre universal." 

 A arte nos acorda sempre para verdades como esta.  Fiquei com vontade de assistir ao filme.  

 



Escrito por AnaGon às 07h54
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 Consulta para corrigir as dissertações do ENEM. E agora? Respondo que aceito?

E como não participar desse evento, em que já tive o prazer de estar por quatro vezes?

Prazer de professora que gosta de ler redações.  Pode parecer um prazer estranho. Mas, a experiência é muito gratificante. Seja pela possibilidade de acesso à produção escrita da população de adolescentes-quase universitários, seja pela convivência com colegas de profissão, num tempo não muito largo, mas suficiente para rir e trocar figurinhas. Não dá para regatear. Ainda que eu só possa corrigir por um período - e sempre se afirma que a prioridade é para quem corrige por dois- será muito bom de novo, se eu puder ler muitas redações, perceber a tessitura dos textos, tão variados em um mesmo tema...e encontrar os amigos, colegas de muitas etapas.  

A ilustração acima tem a ver com a enorme paisagem e beleza de uma só nota. Uma nota só, um grito, uma dor ou uma alegria intensa num imenso espaço disponível para a imaginação.  



Escrito por AnaGon às 20h40
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O Gênio e o Mestre

Uma palestra a respeito de Einstein em 2005 poderia ser apenas mais uma, entre muitas, em homenagem à Física e ao trabalho fundamental do cientista que descobriu o laser e a energia nuclear.

Ao menos, parecia. Porém, outros elementos se inseriram no cenário e deram-lhe uma dimensão maior. 

Importante poder desfazer o mito, a crença de que o Gênio fora um mau aluno. Ele apenas foi um crítico de que a escola não era estimulante. Desde muito cedo, lia e aprendia a partir dos livros. Com dezoito anos pedia a sua namorada que então vivia na Alemanha, quando ele já se mudara para a Itália, entre muitos outros livros, os dois volumes de o "Tratado de Teoria cinética dos Gases" de Boltzmann.  A correspondência entre eles se desenvolveu paralelamente à troca de volumes de teoria da ciência.

Ledor autônomo e crítico, só podia ser mesmo um aluno deslocado da realidade de seus parceiros de geração. Talvez um aluno incômodo para os professores isentos de certa sensibilidade.

Saber um pouco mais a respeito de seu trabalho, foi o que desejei. Perdi a visão mágica (outro mito, outra crença popular?) de que o ano 1905 foi um ano especial porque Einstein descobriu a teoria da relatividade. Foi sim o ano em que ele publicou o primeiro documento a respeito da sua descoberta, que, na verdade, se alongara em cerca de oito ou nove anos de pesquisa e estudo. Entendi um pouco mais, a partir de outro raciocínio como se chegou à relatividade do tempo e do espaço, quebrando a noção do absoluto pela qual a ciência tanto se orgulhava. As explicações foram muito didáticas, o que muito agradeci, pois o público era na grande maioria pessoas ligadas de alguma maneira à Física.

E, de novo, me veio a estranha sensação de que as descobertas da ciência marcam uma maneira de ver o mundo. E essas descobertas, quando suficientemente significativas, acabam se diluindo por outras áreas da cultura e de nossas vidas. A isso talvez denominem paradigma.  Senão como explicar a força da relatividade em nossa cultura contemporânea, muito além daquilo que a ciência afirmou a respeito de velocidade e de tempo, em raciocínio lógico, tâo dentro de nossas peles e experiências cotidianas ?

Ao longo do século XX, pudemos observar a quebra do que foi a Modernidade. Desse ruptura, recebemos a herança perversa da pós-modernidade, a atualíssima hipermodernidade e outros dramas como a perda de identidade e a destruição de particularidades de nossa natureza, com o avanço da tecnologia e a noção do aceleramento da vida.

O conceito de relatividade pode estar nos fundamentos desses conceitos que assolam a cultura contemporânea. Tais experiências talvez possam ser um reflexo da relatividade em que nos temos embrenhado. E não incluo conceito de valor nesse quadro. Como diz Newton, são as leis do movimento. A cultura se embrenhou por caminhos tão tortuosos porque era momento para esse específico desenvolvimento. Simples, nessa perspectiva mais ampla, longe de nossos sofreres e penares particulares e coletivos. Nem bom nem ruim. Um certo paradigma, ou o momento atual em que paradigmas se confrontam? A ciência fala essa linguagem maior que explica e justifica movimentos que a nossos olhos particulares e pequenos ficam tão sem sentido. 

E, finalmente, percebi a grandeza de percepção dos fatos da ciência e da vida, no olhar do palestrante, um professor de oitenta e três anos que pôde construir um currículo de serviço exemplar para a Física e a Educação. Foi emocionante perceber dois ou três senhores na faixa de quase sessenta, seus ex-alunos, prestando-lhe homenagem e o observando com admiração.

Saí de lá com minha força pessoal alimentada pela inspiração do Gênio e pela presença fecunda do Mestre. Talvez com menos submissão à relatividade dos fatos, e com mais certeza (absoluta?) de que a busca do conhecimento ilumina os desvãos dos caminhos.      

 

 



Escrito por AnaGon às 07h13
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a revisão do passado e a invenção do futuro

Sexta-feira (11/08) estive no teatro com amigos. Assisti à peça A Dança do Universo. Uma espécie de história da Física, em musical. neste ano em que se comemora o centenário da Teoria da Relatividade (1905-2005). Imagine-se, por favor, o rosto de Einstein com a língua de fora.  

Mais do que a homenagem aos cientistas que mudaram de tempos em tempos a imagem que temos do mundo, o texto celebra o caminho em busca pelo conhecimento, a beleza da arte e da ciência. 

Com momentos de música, alegria, e outros de grande intensidade dramática, podemos ver os mitos da criação na visão cosmológica do hinduísmo, uma homenagem ao físico brasileiro Mário Schemberg, um diálogo -improvável na realidade- entre Kepler e Galileu, a aproximação entre Chaplin e Einstein, e a reflexão a respeito do sufocamento da subjetividade, a autodestruição pelo homem e a presença da tecnologia. Assistimos também a um Natal de Newton, em meio a especial solidão.

 Tudo muito natural e intenso, como é a vida humana, com suas ambivalências, injustiças, suas dores e iluminações, descobertas, tormentas. Significativos  momentos da construção da nossa cultura. E, com Newton, entendemos que há as leis que regem tudo. São as leis do movimento. Simples.

Momento oportuno para uma visita ao passado como essa. No resgate de figuras que deram sentido a sua vida mudando a visão de todos os homens de sua época e das épocas que se seguiram.

Interessante revisão do passado, em que se lança um livro de nome A invenção do futuro. Com a participação de vários colaboradores entre os quais, Jorge Forbers, Tércio Ferraz Júnior e Gilles Lipovetsky, ele trata de pós-modernidade, hipermodernidade, aceleração, busca de identidade.

O beco sem saída em que estamos. E a perspectiva do passado a alimentar o futuro. Como diz, Marcelo Gleiser, autor do livro A Dança do Universo e inspirador do espetáculo: " Assistir ao desfile da ciência através dos tempos nos força a re-visitar o passado e a refletir sobre o futuro, sobre o Universo em que vivemos e, ainda mais importante, sobre nós mesmos."

Novamente, esta e outras vezes, imaginemos a língua de Einstein a nos provocar.

 

 

  

  

  



Escrito por AnaGon às 08h08
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