Leite derramado
O grupo era pequeno, umas nove ou dez pessoas. Senhoras de terceira idade, que se reúnem duas vezes por semana num projeto de extensão universitária. O mote inicial era falar de estresse e de mudança de comportamento.
Uma delas trouxe, então, um conto do seu dia-a-dia. Fazia quarenta e três anos que era casada. E que derramava o leite ao fervê-lo pela manhã, para acompanhar o café. Claro, muitas risadas. Naquela semana ainda não tinha derramado. Puxa vida, poderia pensar alguém, mudou então ? Nada disso, o fato é que naquela semana ainda não tinha tomado leite. Mais e muitas risadas.
Aceitar-se portanto ? Parece fácil. Mas, houve agitação e muita conversa a respeito do assunto...
Antes que se esgotasse em torno de uma mansidão que se instalou no grupo.
Todas como que apaziguadas pela possibilidade de auto-aceitação e de aceitação das dificuldades de si mesma e de todas. Um certo nível de paz e de olhares meio que vagando soltos. Foi muito bom e o segundo mote do encontro, a partir daí, não fez nenhuma diferença.
Escrito por AnaGon às 22h02
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