Do Imaginário


FAROESTE DE VERDADE

                                                                                                                                                                                                                       

De tempos em tempos, surge um filme faroeste, embora há quem jure que já não se fazem mais filmes desse tipo como antigamente. Bravura Indômita, dos irmãos Cohen acorda a polêmica, esquenta o debate.

Parece incrível que esse gênero começou no tempo do cinema mudo em 1903, com "O Grande Roubo do Trem", o primeiro filme de faroeste da história do cinema. Bem resistente ao tempo! E tendo começado a partir da história da conquista do território americano, estendeu-se em outras cinematografias.E com tons aculturados, como na Itália em que se caracterizou pelo cômico e pelo pastelão.  

Desde então, a caminhada tem sido longa. Passou por muitas transformações inclusive técnicas, no cinema e na TV, que se aproveitou dessa filmografia à sua maneira.

Nos anos quarenta e cinqüenta o gênero ganhou vigor. Mas, ele não passaria em vão pelas mudanças de comportamento nos anos sessenta. Foi então que o índio começou a mudar de papel, deixando de ser encarado como inimigo. Uma reconsideração da história americana, entre outros aspectos de um revisionismo saudável.

Na verdade, o herói a partir daí mudou na literatura e no cinema. Foi desaparecendo aos poucos o solitário cowboy que transitava por paisagens inóspitas cheias de inimigos, que se jogava pesadamente nas portas bambaleantes dos saloons, que andava pelas vias empoeiradas das cidadelas do western. E acertava todos os alvos, claro. Seja nos faroestes, nas novelas de cavalaria ou nos contos de fada, eles representam uma função humana importante. Variações de cenário mal encobrem a (essencial) necessidade dos feitos valorosos. Onde estão esses e outros heróis?

Mas, enquanto na realidade vivemos a mudança da representação do herói, no imaginário de todos nós ainda permanece o lugar que sempre foi dele. Talvez por isso, haja a recorrência do gênero faroeste de vez em quando. Com aspectos que marcam o avançar da história cultural, ela ainda tem lugar, mesmo que tenha passado por diferentes maquiagens: épico, psicológico, cômico, pró-índio, pastelão e, - quem sabe mais?

 E ainda hoje tem seu lugar. A obra dos irmãos Cohen se acrescenta a outras que percebem as possibilidades da dobradinha xerife x bandido e de elementos do mundo do western. 

Por isso, fazem um bom faroeste, inclusive com disputa de melhor tiro sobre cavalos em imensa paisagem. Cena impagável. Nem reparamos que faltaram os índios.  

                                                                                                         

 



Escrito por AnaGon às 22h21
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