Do Imaginário


LEITURA DE JORNAL

                                                                                       

Li a notícia do último filme de Werner Herzog, que já fez Fitzcarraldo (1982) e Aguirre, a cólera dos deuses (1872), entre outros mais recentes.

Trata-se de A Caverna dos Sonhos Esquecidos, documentário realizado na Caverna de Chauvet, na França, que contém exemplares de arte rupestre paleolítica.

Claro que nos perguntamos, em seguida, o que ele quis ali, nesse lugar que foi descoberto em 1994 e ficou cerca de 30 000 mil anos selado, guardando as espécies de registros mais antigos criados por humanos. Ele confessou ao repórter que tem fascínio pelo tema desde jovem.

Fala mais: " Esse é o nascimento da alma humana moderna. É espantoso haver um eco cultural tão distante que parece se estender até nós. Em Chauvet, há a pintura de um bisão abraçando a parte inferior de um corpo feminino nu. Por que Picasso, que não sabia da caverna, usa exatamente o mesmo motivo em sua série de desenhos do Minotauro e a mulher? Muito estranho. "  Concordamos com você, Werner, muito estranho mesmo.

Ainda diz adiante: "É preciso ativar a imaginação do público e o filme cola em você como se você mesmo tivesse estado na caverna." Certamente, ele se transportou para a época paleolítica, vivendo o impacto dessa descoberta de forma muito particular.

De sobra, nós ganhamos a obra de cinema que busca mobilizar nossa imaginação e que cede à tecnologia 3D, por ser "imperativa nesse caso", ele se explica e se redime.

 Não duvidamos, Werner! Esperamos por seu documentário, com ansiedade.

             

 

 



Escrito por AnaGon às 18h26
[ ] [ ]


LEITURA DE JORNAL: GRAFITE E PICHAÇÃO

Pichação suja a cidade e desrespeirta o patrimônio público e privado. Grafite, após a lei que foi aprovada pela Câmara recentemente (e poderá ser sancionada pela presidente nos próximos dias) será legal, desde que feita com aprovação do proprietário do imóvel.

Há muitos anos que sigo esta questão, visto que aqui na minha cidade (Sâo Paulo) temos uma quantidade imensa dos dois.  Tenho muita pena pelos muros e prédios sujos com letras que se multiplicam em tons escuros e sem sentido. Por outro lado, desfruto das imagens coloridas presentes em alguns locais (em bairros, como a Vila Madalena e em viaduros, como na Avenida Paulista), e que se multiplicam por aí, mostrando a presença viva de uma força que procura a todo custo espaço para acontecer.  Ambos, pichação e grafite, representam uma forma de protesto. Ler e interpretar é preciso.

A lei pode ampliar a reflexão sobre o tema e estabelecer um diferencial importante para as pessoas que fazem o grafite.   

Reflexão sobre a necessidade do poder público intervir possibilitando a educação e conscientização sobre o assunto. Sobre os problemas conceituais dos dois (não são a mesma coisa, não). Sobreio o diferencial estético que precisa ser levado em conta, embora os limites para avaliações sejam delicados e requeiram parâmetros novos.

O diferencial é que não pode haver mais dúvidas. Pichação é crime. Grafite é forma de exercício artístico e pode ser também instrumento para desenvolvimento de cidadania por meio da arte e da participação na vida urbana.

A lei nãoresolverá os problemas todos advindos dessas presenças nas cidades, mas é para ser comemorada.

PS: Zezão (o meu grafiteiro preferido) na frente de sua obra.                          

 

 



Escrito por AnaGon às 16h17
[ ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 Afrodite
 Lemniscata
 Fel
 Macacos
 Helô Reis
 The Chatterbox